VENTO NOTURNO
No término da chuva,
o vento empurrou as minhas cortinas,
mostrando as suas sinuosas curvas,
e deixando a chuva mais fina.
Espalhou-se pelo meu quarto.
De tanto calor, estava farto.
Assoviava ao meu ouvido,
tentando fazer com que eu entendesse as suas bagatelas;
como pôde aparecer numa hora daquelas?
Aquele vento era mensageiro,
não sei se era estrangeiro.
Entrara bem soturno;
talvez aquele horário fosse o seu melhor turno.
O vento rodopiava-se à minha frente.
Os galhos contorciam-se amargamente.
Queria tocar em suas curvas;
o vento dispensou o uso das minhas luvas.
Ele começava a se decair,
queria logo dormir.
Tive a impressão de que ele tinha muitas mensagens,
mas resolvi indagá-lo numa outra ocasião,
pois estava cansado de sua extenuante viagem.
Saiu do meu quarto silenciosamente.
Para onde foi, não sei exatamente.
Deve ter ido juntar-se aos ventos adjacentes.
A sua saída deu lugar às gotas de chuva,
que começaram a cair levemente.
-Gabriel Ribeiro Eleodoro
Rio de Janeiro, 27 de dezembro de 2000.
Nenhum comentário:
Postar um comentário