terça-feira, 17 de maio de 2016

OS HOLOFOTES

Os holofotes enfrentam a noite.
Suas luzes dançantes são como açoites.
Analisam o noturno império;
focalizam se há algum rastro de mistério.

Navegam no céu as luzes silenciosas;
observadoras, atenciosas e estudiosas.
Não param neste estafante afã,
querem descobrir algum rastro de amanhã.

Os holofotes descobrem desconhecidas constelações.
Trazem à terra, a estrela que guiou os marinheiros
das Grandes Navegações.
As luzes não notaram nenhuma estranha aparição;
tudo está registrado nas histórias de ficção.

As luzes trabalham como aguçadas espiãs.
Ninguém manda nelas, nenhuma delas é capitã.
Provocam nos pássaros noturnos um sentimento de pavor;
procuram onde há vestígios de calor.

Avisam quando vêm os temporais;
furam o bloqueio das espessas nuvens,
para passarem as pedras espaciais;
tiram das nuvens esta cor ferrugem.

Não deixam a cidade na escuridão, os holofotes.
Deixam-na bem iluminada, até afugentarem
os tenebrosos coiotes.
E o show das luzes fica bem mais dançante,
deixando a escuridão hesitante!

À noite, vejo vários sóis!
Tudo fica acordado com estes potentes faróis!
Vasculham o céu, como se alguma coisa quisessem pescar;
revistam sedentas o Sistema Solar.


- Gabriel Ribeiro Eleodoro

Rio de Janeiro, de 02 a 03 de fevereiro de 2000.

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