domingo, 22 de maio de 2016

CUEIRO

Quando eu nasci, houve festa no lar.
Um menino, para os pais, alegrar.
Já me esperavam em casa os meus presentinhos,
e encheram-me de mimos no meu bercinho.

Mês frio foi aquele em que eu nasci.
Nos meus primeiros dias como tremi!
Mas com o singelo pano colorido que me deram, aquietei.
E por muito tempo, foi com ele que eu me agasalhei.

O pano colorido me cobria de carinho,
deixava o meu coração quentinho.
Só me libertava dele pela manhã
quando vinha me dar bom dia, a minha velha irmã.

Ele era macio, e com aspecto gentil.
O pano compreendeu a minha língua pueril!
Nas curvas dele eu rolava,
assim como a minha velha irmã me contava.

Hoje, o cueiro está encostado no sofá.
Ele não pode mais me afofar.
Mas nos primeiros dias de frio, com ele eu sobrevivi,
e na minha pele há o carinho que recebi.


- Gabriel Ribeiro Eleodoro

Rio de Janeiro, 10 de maio de 2003.

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