LONGA FLECHA
O índio chegou à lagoa,
viu que estava nítida e boa.
Tirou um fruto da macieira;
fez da pedra a sua cadeira.
Pegou dos pertences
um arco, uma corda e uma longa flecha.
A última que vai esbanjar!
Ignorou o sol fervente;
se esqueceu da vegetação fulgente.
Se esta falhar, como vai se arranjar?
Mirou-a em direção à lagoa pasmaceira
com o seu olhar bravio.
Atirou-a à sua maneira;
entrou na água num curto assovio.
Quer da lagoa a lenda,
quer da lagoa a prenda.
Faz a procura a longa flecha,
até concretizar a pesca.
Tem fé que verá a sereia,
tem fé que estará na sua frente, neste restolho de areia.
Na profunda lagoa, vai seguindo a longa flecha;
agarrará nas suas loiríssimas mechas!
Vai ferindo a água,
para ao resgate dar brecha.
O índio não esconde o anseio,
guarda um sentimento em seu peito.
Nem a tribo saberá desse feito,
pois pedirá a ela, que o guarde também em seu seio.
Não quer descansar debaixo da macieira,
não quer dormir na vegetação rasteira.
A flecha a voltar demorará,
mas a sereia lendária da água emergirá.
- Gabriel Ribeiro Eleodoro
Rio de Janeiro, 19 a 20 de julho de 1999.
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