quarta-feira, 3 de agosto de 2016

NUVEM VERMELHA

No final da madrugada,
fui à janela,
e vi que o sol não havia saído de sua nebulosa morada;
e nem havia esquentado as fechadas azaleias.

Mas deixou um sinal:
uma nuvem ficou rubra.
Logo na madrugada final;
a nuvem ficou escura.

A nuvem ganhou um tom avermelhado.
Cuja cor, era semelhante a do meu telhado!
As nuvens cinzentas desistiram de fazer a chuva,
quando viram-na com a cor da uva!

A nuvem, aos poucos, se deslocava.
A fenomenal cor, ao céu, mostrava.
Será que ardia?
Será que era a luz do meu dia?

Como ficou vermelha a nuvem gigantesca!
Parecia que Deus havia pintado uma coisa pitoresca!
A nuvem vermelha tornou-se o meu brinquedo.
Fiz de tudo para colocar o dedo!

Suspeitavam as neblinas;
fugiam como espantadas meninas!
Eu mexia demais com os meus pensamentos;
qual era o motivo de tanto enrubescimento?

A janela me deu o gratuito ingresso,
pois sabia que a nuvem espetacular não passaria
na televisão!
jamais desejei o seu regresso;
jamais desejei a partida, daquela que furtou
a cor do meu coração.


- Gabriel Ribeiro Eleodoro

Rio de Janeiro, 24 de janeiro de 2000.

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